Arquivo mensal: outubro 2012

Pequena reflexão sobre a licenciatura

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Trabalhar com educação deveria ser o emprego mais disputado, com pessoas mais bem-preparadas, com planos de carreira mais atrativos.

Professores devem ser formadores de opinião, portanto, pessoas altamente combativas, grupo de vanguarda!

Há quem diga que obviamente não é assim. Obviamente por que, cara pálida?

O que vemos, em todos os níveis da educação, são profissionais que seguiram na licenciatura por acharem que era mais fácil educar ou por falta de opção de cursos nas cidades que moravam.

Está incrédulo? Essa realidade é muito mais comum do que deveria, principalmente na educação infantil e no ensino fundamental I. Aí você pára e pensa “Mas não é justamente nessa fase que os minis precisam de mais atenção e cuidados pois estão formando seu caráter e valores?” Pois é, cidadão! Na prática, não é assim que funciona. Basta observar o currículo dos profissionais que estão nessa área.

Mas como mudar esse quadro? Que profissionais tão bem capacitados se sujeitam a salários e condições de trabalho aviltantes?

Sem desmerecer nenhum trabalho aqui, mas apenas para fazer um comparativo de funções, uma empregada doméstica possui mais benefícios em seu trabalho que um professor. Ou seja, os pais deixam mais satisfeitos a pessoa que limpa suas casas que a pessoa que ensina seus filhos. E facilmente são protegidas pela lei. De tempos em tempos é necessário fazer reajuste no seu salário por conta do transporte e o professor? Esse fica dez anos sem receber aumento e é completamente massacrado por fazer greve e lutar pelos seus direitos.

E o que é ainda mais revoltante é que a classe não se une e continuamos a encontrar professores acomodados com seus baixos salários e precárias condições. E isso está totalmente vinculado ao fato de termos cursos de licenciatura mal formulados e ministrados por profissionais que vivem numa bolha de ignorância… o lema é “Vamos jogar no mercado profissionais limitados, que cumpram tabela e que vão continuar alimentando a mediocridade humana que permite que essa corja de políticos continue no poder explorando todo um povo”.

O “obviamente” sai de uma mente formada e influenciada por tais profissionais limitados. Melhor ficar na zona de conforto e colocar um rótulo para o que é a educação no Brasil do que procurar formas de resolver o problema.

Pior ainda é o discurso que o professor faz seu trabalho por amor. Ninguém tem dúvidas que é necessário amar muito o próximo para trabalhar com formação de pessoas. Mas o amor não paga as contas.

Queridos leitores mestres, que suas almas resistam e revolucionem!

Amém!